sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Asas da América - Volume I [1981] (link recuperado)


O projeto Asas da América, iniciado em 1981, foi a primeira tentativa sistemática de modernização do frevo, não apenas na roupagem como também nos arranjos e orquestrações. Seu idealizador foi o caruaruense Carlos Fernando, ex-integrante do Movimento de Cultura Popular, compositor desde 1967, quando ganhou um festival com Aquela Rosa, em parceria com Geraldo Azevedo.
Asas da América foi um divisor de águas para o frevo que, qualidades à parte, deixava de ser uma música paroquial, cultuado fora de sua terra natal apenas por aficionados e especialistas. Carlos Fernando conseguiu reunir num só disco, numa época em que isso não era corriqueiro como atualmente, artistas recifenses com os maiores nomes da MPB. A lista ia de Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Jackson do Pandeiro a Marco Pólo, Geraldo Azevedo, Flaviola e Alceu Valença.
O projeto completou duas décadas no ano passado. A efeméride está sendo comemorada com um álbum com três CDs e 47 faixas, contendo uma seleção dos dois LPS lançados no início da década de 80 pela CBS (atual Sony Music), uma continuação do projeto realizada no Recife, apenas com artistas pernambucanos, e o Pinto da Madrugada, dirigido ao público infantil, produzido há dois anos e ainda inédito. Carlos Fernando pretende, em 2003, lançar outra caixa com frevos de mais três discos do projeto (ao todo foram sete álbuns) e um novo Asas da América.
Vivendo entre o Rio de Janeiro e o Recife, ele já produziu um disco de cirandas, Recirandar; de forró, Forró Brasil; cinco Recife Frevoé, e está finalizando o CD Siri na Lata, em que homenageia o bloco homônimo. Em seu apartamento em Candeias, Carlos Fernando comentou o Asas da América e sobre cultura pernambucana, disparando elogios e críticas para todos os lados, uma metralhadora giratória e certeira.

* Confira a matéria completa clicando AQUI.


01 - Alceu Valença - O Homem da Meia Noite
02 - Caetano Veloso - Bom é Batuta
03 - Carlos Fernando & Geraldo Azevedo - Lenha No Fogo
04 - Elba Ramalho - Olha o Trem
05 - Flaviola - Aquela Rosa
06 - As Sereias - Valores do Passado
07 - Elba Ramalho - A Mulher do Dia
08 - Chico Buarque - Salve a Torcida
09 - Gilberto Gil & Jackson do Pandeiro - Sou Eu Teu Amor
10 - Alceu Valença - Pitomba Pitombeira
11 - Marco Polo - Ator Folião
12 - Geraldo Azevedo - Asas da América

Asas da América - Volume II (Link Recuperado)


01 - Geraldo Azevedo - Tempo Folião
02 - Elba Ramalho - Anjo Avesso
03 - Fagner - Portela
04 - Terezinha de Jesus - Cravo Vermelho
05 - Alceu Valença - A Misteriosa
06 - Paulo Rafael - Capucho No Frevo
07 - Amelinha - Sirí Na Lata
08 - Zé Ramalho - Rapaz do Táxi
09 - As Frenéticas - Bye Bye Baby
10 - Marco Polo - Amanhecer
11 - Juarez Araújo - No Passo do Rafa

Asas da América - Volume III (Link Alternativo)


01 - Mpb4 - Batalha
02 - Alceu Valença - Massa Real Madri
03 - Geraldo Azevedo - Cala Boca Menino
04 - Zé da Flauta - Bianos No Frevo
05 - Juarez Araújo - Saxofrevando Pra Mabel
06 - Elba Ramalho - Século XXI
07 - Geraldo Azevedo - Menina Pernambucana
08 - Tadeu Mathias - Cine Marconi
09 - Robertinho de Recife - O Pulo do Passo

Asas da América - Volume IV (Link Recuperado)



01 - Alceu Valença - Voltei Recife
02 - Geraldo Azevedo - Além do Carnaval
03 - João Fernando - Chego Já
04 - Tadeu Mathias - Constelações
05 - Teca Calazans - Bloco Dos Bichos (Como Dois Animais)
06 - Lenine & Lula Queiroga - Grande Fla-Flu
07 - Severo - Alvoroço (Instrumental)
08 - Elba Ramalho - Banho de Cheiro
09 - Alceu Valença - Lenha No Fogo
10 - Teca Calazans - Meu Rebento

Asas da América - Volume V (Link Recuperado)




01 - Caetano Veloso - Noites Olindenses
02 - Luiz Caldas - Bahia Maria
03 - Alceu Valença - Menina Pernambucana
04 - Lulu Santos - Atrás do Trio Elétrico
05 - Moraes Moreira - Festa do Interior
06 - Trem da Alegria - É Ele o Frevo
07 - Chico Buarque - No Dia Que o Cristo Falou
08 - Fagner - Molhadinho de Suor
09 - Michael Sullivan - Mamãe Aparecida
10 - Alcione - Banho de Cheiro
11 - Zé Ramalho - Frevo Mulher
12 - Geraldo Azevedo - Pela Paz

Asas da América - Volume VI



01 - Alceu Valença - Bicho Maluco Beleza
02 - Lula Queiroga - Clube da Farra
03 - Nádia Maia - Outro Carnaval
04 - Marcílio Lisboa - Luar da Madalena
05 - Nena Queiroga - Acorda Caruaru
06 - Hebert Azul - Pierrot Le Fou
07 - Eliane Ferraz - Flor da Lira
08 - Geraldo Azevedo - Tabaco-Leso
09 - Marco Polo - Nem Sempre Lili Toca Flauta
10 - Mônica Feijó - Cante Comigo
11 - Lenine - Eu Acho É Pouco
12 - Rosana Simpsom - Abelha Rainha
13 - Marrom - Micróbio do Frevo
14 - Geraldo Amaral - Belo Capiba

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Do Fiasco da Federação Carnavalesca ao Surgimento do "Banho de Conde"


Leonardo Dantas Silva
No princípio dos anos trinta do século XX, as rivalidades entre os clubes carnavalescos deram origem ao que se convencionou chamar de “carnavais de sangue”…
Apesar da severa repressão da polícia, as rixas entre as agremiações do nosso carnaval continuaram presentes nas ruas e no noticiário policial da imprensa. Tais conflitos tornaram-se uma preocupação não só das autoridades governamentais como de grupos da sociedade; a insegurança era tanta que havia agremiações que para sair às ruas solicitavam a presença de uma escolta da cavalaria.
Em 1932, carnavalescos preocupados com a situação da violência entre os clubes resolveram fundar a Liga Carnavalesca do Recife, em reunião realizada no Clube das Pás, na Rua Velha nº 245. Dois anos mais tarde, precisamente em 26 de dezembro de 1934, um grupo de executivos, alheios ao chamado “carnaval de rua”, atendendo a sugestão do jornalista Mário Mello, iniciaram os contatos para a fundação de uma sociedade civil que viesse aglutinar todas as agremiações carnavalescas.
No escritório do engenheiro J. Pinheiro, da Pernambuco Tramways, empresa concessionária de distribuição de energia elétrica e do sistema de bondes do Recife, esteve reunido o diretor daquela companhia J. P. Fish, o superintendente da The Great Western do Brazil Railway, Arlindo Luz, além dos sr. Camucé Granja e, o pai da ideia, o jornalista Mário Mello, com o objetivo de traçar as bases de fundação do que veio a ser a Federação Carnavalesca Pernambucana(¹) .

Na ocasião foi redigida uma carta circular a todas as agremiações responsáveis pelo Carnaval do Recife que, por sua importância, passo a transcrever:
O Carnaval de Pernambuco é típico e tem sido louvado em toda parte onde dele se tem conhecimento, pela originalidade, de que resultou o nosso frevo. Nota-se, porém, que a muita dispersão de esforços, o que é prejudicial. Pensando nisso alguns elementos sociais, interessados pelos progressos de Pernambuco e para que o Recife se torne cidade de turismo, resolveram fazer a coordenação de todos os elementos numa Federação dos clubes existentes e que de futuro se possa organizar. Para o bom êxito da ideia os seus promotores já se puseram em contato com a maioria dos clubes carnavalescos desta Capital, ficando acertado que a referida Federação seria organizada dentro das bases seguintes:
I – Dada a rivalidade ainda existentes entre alguns clubes, a administração central dessa Federação deverá ser constituída por pessoas de representação e prestígio social, alheias aos mesmos clubes para que possa realizar o seu progresso com imparcialidade, tendo, no entanto, cada clube seus delegados junto à Federação.
II – Obter dos grandes empresários, bancos, negociantes em grosso etc., auxílio para o caixa geral, sem prejuízo das coletas que os clubes costumam fazer entre os seus protetores.
III – Esse auxílio será empregado: a) no programa geral organizado pela Federação; b) no auxílio equitativo aos clubes que tomarem parte no carnaval; c) em prêmios aos clubes que no modo mais condigno se apresentarem; d) no desenvolvimento do turismo.
IV – Moldar o carnaval no sentido do tradicionalismo histórico e educacional, fazendo reviver costumes nossos, tipos de nossa história, fatos que nos educam.
V – Colaborar com os poderes públicos num programa que haja um dia exclusivo para o frevo dos clubes pedestres, sem os atropelos do corso e um dia para os clubes alegóricos.
VI – Organização de comissão para a propaganda do carnaval de Pernambuco nas cidades do interior e dos Estados vizinhos.
VII – Pugnar pela harmonia de todos os clubes, afim de que se possa dar sempre o maior brilho às festividades do Carnaval.
VIII – Propaganda do nosso carnaval, por meio de filmagem e irradiações das nossas músicas no interior.
O documento circular, assinado pelos srs. Arlindo Luz, Superintendente da The Great Western of Brazil Railway Cº. Ltd.;  J. P. Fish, Superintendente da Pernambuco Tramways & Power Cº. Ltd.; Camucé Granja e o jornalista Mário Mello, redator do texto, foi enviada a todas as agremiações carnavalescas, marcando “uma reunião inaugural” para a quinta-feira 3 de janeiro, às 20 horas, “na sede da Federação Pernambucana de Desportos, na Rua da Aurora nº 237”.
Assim, naquela noite, veio a ser criada a Federação Carnavalesca Pernambucana tendo, na ocasião, o jornalista Mário Mello apresentado um e um esboço de estatutos da nova entidade, que deveria pugnar pelos seguintes fins:
I – Procurar a harmonia entre os clubes filiados;
II – Distribuir auxílio equitativo, cada ano, aos clubes que tomarem parte no carnaval;
III – Dar prêmios aos clubes carnavalescos que de modo mais condigno se apresentarem;
IV – Desenvolver o turismo;
V – Moldar o carnaval no sentido do tradicionalismo histórico e educacional, fazendo reviver costumes nossos, tipos de nossa história, fatos que nos educam;
VI – Colaborar com os poderes públicos para a regulamentação e boa distribuição do tráfego, a fim de que não haja prejuízo do frevo que merece apoio, para a sua conservação típica;
VII – Organizar comissões para propaganda do Carnaval de Pernambuco nas cidades do interior e Estados vizinhos, bem como por intermédio do rádio e da cinematografia.
Em memorial enviado à Assembleia Legislativa, assinado pelo presidente J. P. Fish, com data de 26 de agosto de 1936, a Federação Carnavalesca Pernambucana informa dispor de 165 agremiações filiadas e reivindica o seu reconhecimento como de utilidade pública e a concessão de uma subvenção anual para a realização do carnaval.

Naquele memorial, depois de descrever as origens históricas do Carnaval do Recife, enfatiza:
Esses agrupamentos carnavalescos viviam em ambiente de rivalidade tal, hostilizavam-se de tal maneira que havia receio de irem às ruas as pessoas pacatas, porque o encontro de dois clubes carnavalescos era sinal de derramamento de sangue. Vitorioso, era o clube que deixava nas ruas maior número de feridos e até de mortos. “Os compositores faziam músicas especiais para o momento do encontro, conhecidas como abafadoras, não só para superar a orquestra do clube adversário, como para excitar à luta os próprios partidários.”
— Esse tipo de composição, também denominada de frevo coqueiro, é formada por uma linha melódica maleável, leve em notas mais ou menos longas a exigir mais apuro por parte dos trombones e trompetes, de modo a tornar inaudível a orquestra do adversário.
Submetido às comissões, foi o projeto relatado pelo então deputado Artur Moura, onde ressalta o serviço que vem prestando a nova instituição em favor da organização do carnaval, ordem pública, educação, preservação moral dos costumes e ideologias dos grupos carnavalescos, bem como saúde pública, “no seu largo sentido e atua, sobretudo quanto às classes mais pobres como sedativo de incontestável eficácia”.

Adianta em outro parágrafo que a diretoria da Federação era formada por elementos estranhos aos quadros sociais dos clubes filiados, sendo constituída de “pessoas do mais alto e merecido conceito intelectual e moral”, salientando:
A Federação realiza um largo programa. Transforma cada associação carnavalesca em um núcleo educativo. Proíbe qualquer preocupação político-partidária; guerreia as ideias subversivas da ordem constitucional vigente no país; defende o respeito à lei e a autoridade pública encarregada de aplicá-la, transforma os fúteis motivos carnavalescos em oportunos pretextos para fortalecimento no nativismo sadio e construtor.
Não se diga que os festejos carnavalescos, presididos pela Federação atentam contra o tradicional sentimento religioso e os costumes do nosso povo.
Muito ao contrário disto o frevo se afigura um derivativo. Na sua expansiva inocência se acolhem e satisfazem as famílias que receiam o perigo dos salões supercivilizados, onde o éter e o champagne comumente justificam o sacrifício dos bons costumes.
Como se depreende do memorial assinado por J. P. Fish, referendado pela exposição de motivos do deputado Artur Moura, existia então uma preocupação bastante acentuada quanto às ideologias em voga, o comunismo e o integralismo, que, segundo o presidente da Federação, poderiam atingir os clubes carnavalescos.
A nova instituição, segundo se depreende da leitura da documentação oficial publicada no Anuário de Carnaval Pernambucano 1938, funcionava como uma espécie de tutora, exercendo por vezes uma censura oficializada, das agremiações carnavalescas; atividade vista com simpatia naqueles tempos de Getúlio Vargas. – No seu memorial dirigido à Assembleia Legislativa, o presidente J. P. Fish chega a enfatizar:
Outro aspecto que não deve ser silenciado é a cooperação que prestamos à ordem pública. Proibida, terminantemente, qualquer manifestação de caráter político em seu seio ou no de seus clubes filiados, cujos estatutos são por nós revistos e consertados, fazemos tenaz propaganda contra ideias extremistas, por meio de doutrinação, evitando assim que os elementos de nossos clubes se contaminem, e até mesmo indicando o bom caminho aos periclitantes.
Ninguém melhor do que a Secretaria de Segurança Pública, que, a nosso convite, tem um representante permanente junto a nós, conhece esta face de nossa cooperação com o poder público, que, por sua vez, tanto nos tem ajudado.
Mas nem só o carnaval era a preocupação dos criadores da Federação Carnavalesca Pernambucana. Do memorial de J. P. Fish e da exposição de motivos do deputado Artur Moura, a quem coube relatar o projeto nº 70/1936, que veio dar origem à Lei Estadual nº 212, sancionada pelo governador Carlos de Lima Cavalcanti em 3 de dezembro de 1936, se depreende uma preocupação bastante acentuada quanto às ideologias em voga, muito especialmente com o comunismo, que  poderiam vir atingir os quadros sociais dos clubes carnavalescos. A nova instituição funcionava como um órgão de tutela, exercendo por vezes a censura oficializada, atividade vista com simpatia naqueles tempos de Getúlio Vargas:
A Federação realiza um largo programa. Transforma cada associação carnavalesca em núcleo educativo. Proíbe qualquer preocupação político-partidária; guerreia as ideias subversivas da ordem constitucional vigente no país; defende o respeito à lei e à autoridade pública encarregada de aplicá-la, transforma os fúteis motivos carnavalescos em oportunos pretextos para fortalecimento do nativismo sadio e construtor.
Desse modo foi a Federação Carnavalesca Pernambucana criada por um grupo de elementos estranhos ao Carnaval do Recife, sob a inspiração do jornalista Mário Mello, tendo como primeiro presidente um norte-americano, J. P. Fish, conhecido popularmente como “Mister Ficher”.

De tanta organização surgiu um episódio curioso contado pelo jornalista Selênio Homem de Siqueira ao lembrar que, na sua programação carnavalesca a Federação Carnavalesca Pernambucana programou para a Praia do Carmo, em Olinda, um banho de mar a fantasia com o patrocínio da Pernambuco Tramways, através de Mr. Fish, com a presença das mais tradicionais agremiações do carnaval do Recife.

No domingo aprazado, uma maré alta de lua cheia tomou conta das linhas do bonde, na altura de Salgadinho, e interrompeu o tráfego dos elétricos na antiga Estrada de Luís do Rego, que ligava o Recife à Olinda, tornando, assim, impossível o acesso ao Carmo.

Os carnavalescos, devidamente fantasiados, tiveram que cruzar a água do mangue a pé, encharcando suas fantasias, para nesse estado atingir o Varadouro e a Praia do Carmo, onde fora armado um grande painel de fogos de artifício comemorativo.

Como uns “pintos molhados” lá foram os carnavalescos do Recife participar do propalado “banho de mar a fantasia”…
A verve olindense, insuflada pela velha rixa dos habitantes de Olinda para com os do Recife, originária ainda dos confrontos acontecidos no século XVIII, não deixou passar despercebido tal fiasco…

Surgiu assim Banho de Conde, um frevo ainda hoje cantado nas ruas e ladeiras da Velha Marim, composto por Wilson Wanderley e Clídio Nigro, gravado pela Fábrica Rozenblit no disco Carnaval de Olinda (LP 20.000 – 1979), cuja letra relembra a importância do “padroeiro Ficher” nos festejos carnavalescos de então:
Mandei formar,
a turma
Pra tomar banho,
na beira do mar
Não vou ficar,
molhado
Mas vou dar água
pelo Carnaval
Vem! … vem padroeiro Ficher!
Vem, vem acender o painé! 
Não mergulhei, mas molhei
Banho de maré tomei
________________
1) Anuário do carnaval pernambucano 1938. Recife: Federação Carnavalesca Pernambucana, 1938.

sábado, 26 de janeiro de 2013

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Orquestra Popular da Bomba do Hemetério - #CabeçaNoMundo [2012]


Após três meses escrevendo as músicas e arranjos e duas semanas gravando em estúdio, a orquestra composta por 21 músicos e 6 técnicos traz um novo trabalho com 12 faixas, sendo seis instrumentais e seis com letras. Maestro do Forró, quem comanda a OPHB, disse que "após 10 anos de existência, observamos a mudança na autoestima das pessoas do bairro, dos recifenses e do Brasil como um todo e tudo isso está em Cabeça."
Segundo Renato Teodoro, percussionista, viagens para fora do país também tiveram influência neste álbum. "Fomos para Cuba, Europa e Estados Unidos. Com isso trouxemos novos ritmos e batidas, mas ainda somos muito enraizados no Recife," afirmou o músico.
#CabeçaNoMundo conta com três participações especiais. Para Maestro Forró, a com Lirinha foi a mais inusitada: "Sempre tive uma vontade de ouvir Lirinha cantando frevo de bloco tradicional, com aquela voz teatral dele. E ele sempre quis cantar uma música sobre o Recife e com isso nasceu a nona faixa, Recife Iluminado."
Com Fred04, a orquestra fez um novo arranjo de Meu Esquema, um dos hits de Mundo Livre S/A, tornando-a um frevo com um pouco de forró no meio. Já o professor Marco Cesar e seu bandolim participam de Formigando, música composta em homenagem ao Mestre Formiga, Ademir Araújo.

(Via JC Online)





Download: #CabeçaNoMundo [2012]

Músicas:
01 - Frevo de bolso
02 - Rainha se coroou
03 - Tô doidão
04 - Formiguiando
05 - Fole assoprado
06 - Meu esquema
07 - Chey de dengo
08 - Oia a virada
09 - Recife iluminado
10 - Vamos cirandar
11 - Cabeça no mundo (remix)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Lula falando a história do bloco Tá'Qui Pr'Ocês (2012)



Tá'Qui Pr'Ocês

Prévia: 02/02  Concentração a partir das 12h.
Segunda de Carnaval: 11/02 Concentração a partir das 9h.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Daniel Marques - Carnaval de Perneta [2012]




O disco traz dez composições autorais, passeando por ritmos que vão do maracatu e frevo ao forró, em que se destaca o viés percussivo do violão de sete cordas do carioca Daniel, líder da Orquestra Frevo Diabo, que já havia ganhado o “Prêmio da Música Brasileira” (2010).
Neste seu disco-solo, o violonista e o artista são bem-intencionados. O primeiro, competente, e o segundo, digno de nota, atreve-se ao risco. Aqui não se discute a originalidade, não chego a tanto. Em “Carnaval de Perneta” (ótimo título) percebem-se passagens excelentes, mas, no contexto geral, é um pouco maçante. Afirmo, sem a convicção, já que ficamos à mercê de nosso gosto pessoal. Por isso, tenho medo de fazer um juízo medíocre, precipitado e, talvez, fadado ao óbvio, já que toda novidade assusta, expulsa, incomoda. Mas, na minha idade, acho que não há mais tempo nem esperança para novas descobertas. Pelo menos as sonoras. O violão dele é esquisito (nervoso e desvairado , como me dizem na contracapa). As surpresas, no entanto, não bastam ser somente surpresas, há que se encantar, seduzir. E tal química, nosso Daniel não consegue alcançar na maioria das faixas. Quando tenta ser mais suave, parece obter melhores resultados. A aspereza não me anima.  As sincopadas predispõem a uma espécie de caos nos acordes. Incomoda mais que desagrada. Mas tem classe e por vezes enleva, mesmo em repetições rítmicas meio angustiantes. Enfim vale conferir, mormente quem é atraído por novidades e, em particular, aos especialistas do instrumento que, poderão, melhor do que eu, chegar a uma conclusão: inovação ou maluquice. 

Por Marcio Paschoal






Download: Carnaval de Perneta [2012]

01 - Pé-de-Cabra
02 - Moskiitos
03 - Danado de Raiva
04 - Tontêra
05 - Pra Ela
06 - Maracatu No Maraca
07 - Brinquedo do Mundo
08 - Impossíveis Lugares
09 - Ciranda das Formigas
10 - Pólvora

domingo, 29 de janeiro de 2012

História do Bloco T'áqui Pro'cês por Luiz Silva




O T'áqui Pr'ocês nasceu em 1985, na madrugada da quarta-feira de cinzas desse mesmo ano.
Eu estava em casa meio arretado com a Prefeitura de Olinda, que pouco proporcionava para os foliões e ficávamos sem opções de brincar , pois os blocos que existiam eram violentos. Foi quando chegou da rua uma cunhada minha, com uma blusa preta e nela existia um desenho de um boneco soltando dedo e escrito: AQUI PARA VOCÊS.
Daí surgiu a ideia de fazer um bloco de amigos para podermos brincar nos carnavais futuros. Na manhã da quarta-feira fui ao bar de Toinho Mutreta e Newtinho, que ficava na Bairro do Amparo onde lancei a ideia , que foi totalmente aprovada. Lembro que estavam presentes : Newtinho , Mutreta , Amaro, Fredinho meu irmão querido, e aí mantivemos o dedão que era símbolo de nossa revolta contra a prefeitura e o nome que foi a junção do AQUI PARA VOCÊS que virou T'ÁQUI PR'OCÊS , representando este nome a intenção de que o bloco está aqui para vocês se divertirem. Também foram definidas as cores do bloco em preto, verde florescente e laranja.
A brincadeira deu certo e são 27 anos de muita animação nas ruas de Olinda.
Como único presidente do bloco durante esses anos, costumo dizer que na realidade , somos todos presidentes, foliões e tudo mais, pois fico extremamente feliz, de ver tanta identificação no meio de tantas gente diferente e reverencio a todos que participam, pois como diz o nosso hino, vamos à rua para cair de tanto amar, e mesmo tendo homem , mulher e menino, Tuim e Sarara , os muitos se tornam um só , num momento mágico de muita alegria.

Luiz Silva

HINO DO BLOCO
COMPOSITOR: MARCUS VINITHIUS MENDES PRATES ( MARCÃO )

HOJE EU CAIR DE TANTO AMAR
E VOU SAIR PRA DESFILAR
FANTASIADO DO QUE DEUS DARÁ
DE DIABO ENDIABRADO , DE ANJO MAL EDUCADO, OU PAXÁ DE BAGDÁ.
O NOSSO BLOCO VEM COM TUDO DE CIMA
GENTE BOA , GENTE RUIM
TEM TUIM E SARARÁ , VEM MULHER , HOMEM E MENINO,
SUBINDO E DESCENDO A LADEIRA
SÓ PARA NA BEIRA DO MAR
E CARNAVAL SÓ TEM NUM MÊS,
EU DEIXO QUE QUISER FALAR
EU BEBO UMA, BEBO DUAS , BEBO TRÊS,
T'ÁQUI PRA MIM, T'ÁQUI PRA NÓS
T'ÁQUI PR'OCÊS

O bloco desfila todos os anos nas ladeiras de Olinda no sábado anterior ao período de momo e na segunda-feira de carnaval, sempre no horário da manhã.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Troças Carnavalescas de Olinda

Troças Carnavalescas de Olinda
Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br

As troças carnavalescas ou troças carnavalescas mistas são pequenas agremiações, menores em estrutura que os blocos ou clubes de frevo, organizadas por um grupo de amigos, que saem pelas ruas das cidades, normalmente durante o dia, animando os foliões nas festas de Momo.

São conhecidas também como levanta poeira, uma vez que saem arrastando um grande número de foliões por onde passam. Formadas com a intenção de brincar e zombar com os mais diversos temas possuem muita criatividade e nomes irreverentes, que provocam o riso e o divertimento.

A palavra Mista na troça significa que dela podem participar tanto homens, quanto mulheres.

No final do século XIX e início do XX, quando surgiram as agremiações carnavalescas no Recife e em Olinda, havia uma distinção bastante rígida quanto aos papéis assumidos por homens e mulheres, daí existir algum sentido que os homens se vestissem de mulher no Carnaval. Hoje, a não ser algumas poucas agremiações e aquelas que fazem brincadeira com o conceito de gênero, como as Virgens de Olinda, por exemplo, as troças e os clubes carnavalescos são mistos.

No carnaval de Olinda, conhecido nacional e internacionalmente como uma das mais animadas festas populares de rua do mundo, há uma grande quantidade de troças, originárias de grupos que resolvem brincar, se divertir e troçar.

As primeiras troças olindenses surgiram no começo do século XX. No início, havia muitos grupos carnavalescos improvisados, havendo pouca brincadeira organizada.

Em 1910, composta por jovens moradores da Cidade Alta, surgiu a Troça Carnavalesca Mista Papudinho, que saía da Rua do Bonfim e só participou de dois carnavais, encerrando suas atividades em 1911. Alguns dos seus integrantes fundaram, posteriormente, o Clube Vassourinhas de Olinda.

Também no carnaval de 1910, apareceu a Troça Carnavalesca Mista Bonequinho, organizada por moradores da praia dos Quatro Coqueiros, com a colaboração de pescadores do local, e da praia dos Milagres, além de veranistas que ainda permaneciam em Olinda, na época da folia. Com várias interrupções e mudança de local, terminando na Ilha do Maruim, a troça desfilou pela última vez no ano de 1944.

A Troça Infantil Bengalinha, composta por alunos do professor Marcolino Botelho, surgiu em 1911. Seu nome originou-se do hábito que tinha o severo professor, de bater com a bengala nos alunos que não respondiam certo às suas perguntas. A troça saía da Rua do Amparo, com as crianças caprichosamente fantasiadas por suas mães. Quando passavam em frente da casa do professor tiravam os chapéus e faziam um cumprimento. A troça desfilou por um período de cinco anos, não consecutivos.

Fundada em 1914, pelo carnavalesco Pulu (Apolinário Gomes da Silva), na praia dos Quatro Coqueiros, a Troça Carnavalesca Mista Os Pescadores participou do carnaval até 1923, ficando sem desfilar por aproximadamente três anos nesse período. Congregava os pescadores que moravam na costa ao longo do istmo entre Olinda e o Recife, por isso muita gente pensava que a troça pertencia à localidade da Ilha do Maruim.

Criada em 1920, a Troça Carnavalesca Mista Caçadores teve sua primeira sede nos Quatro Cantos, passando a desfilar depois no Guadalupe e na Estrada de Paulista. Os participantes desfilavam sempre com fantasias de caçador, composta por bornal, espingarda e apetrechos de caça, mudando apenas as cores. Não existia mais no carnaval de 1931.

A Troça Carnavalesca Mista Cariri é uma das mais antigas agremiações do Carnaval de Olinda. Fundada no dia 15 de fevereiro de 1921, abre o carnaval da cidade desfilando sempre às 4h da madrugada do domingo de Carnaval. Sua sede fica na Praça Conselheiro Miguel Canuto, no Guadalupe e seu nome é uma homenagem ao velho “Cariri”, apelido de um antigo vendedor do Mercado de São José, no Recife, que até hoje continua como símbolo da troça.

Criada no ano de 1922, em Floresta, na Estrada de Paulista, a Troça Carnavalesca Mista Destemidos, era basicamente formada por trabalhadores do ramo da carne verde. Seu primeiro estandarte de 1922, foi substituído por outro, confeccionado por alunas do Colégio Santa Teresa, em 1928. O símbolo da troça era um lobo, sendo por isso seus integrantes chamados de Lobos da Floresta. Tendo como seu maior rival troça Caçadores, os Destemidos fizeram sua última apresentação em 1946.

Fundada em 1925, a Troça Carnavalesca Prato Misterioso foi uma das maiores troças do carnaval de Olinda, principalmente porque sempre se apresentava com uma boa orquestra. Seus anos de glória foram nas décadas de 1930 e 1940, quando tinha como seu principal rival a Troça Carnavalesca Mista Pão da Tarde, criada em 1943, na Ilha do Maruim. A Pão da Tarde nasceu de uma dissidência da Prato Misterioso e tinha como grande sonho desbancar seu principal concorrente, mas nunca conseguiu.

Uma turma de rapazes do bairro dos Milagres criou, em 1932 a Troça Carnavalesca Donzelinhos dos Milagres, que ficou famosa no carnaval da cidade sem nunca ter tido uma diretoria organizada. Não era permitida a participação de mulheres e as fantasias da troça eram sempre baseadas em roupas infantis. Antes da sua saída, às 7h da manhã, era servido um sarapatel com muita bebida. Durante 25 anos, os Donzelinhos só deixaram de se apresentar por duas vezes: em 1943, por causa da convocação de participantes para a Segunda Guerra Mundial e, em 1956, quando um dos membros da troça foi assassinado. Sua última apresentação ocorreu no Carnaval de 1957.

Localizada na Rua do Sobrado dos Arcos, nº 174, surgiu em 1933 a Troça Carnavalesca Mista Bolinha de Ouro, composta por um grupo de crianças que saía pelas ruas batucando em latas velhas. Passou depois a sair da Rua do Guadalupe, nº 167, sendo uma animada agremiação do carnaval olindense. Seu estandarte era da cor vinho com adornos em metal dourado. Com mais de sessenta participantes, a troça só se apresentou duas vezes, encerrando suas atividades, em 1935, por falta de recursos financeiros. Seu principal rival era a troça Abanadores, de Severino Parafuso.

Criada em 1934, por dissidentes do Clube Lenhadores, a Troça Carnavalesca Mista Pavão de Ouro iniciou suas atividades no bairro do Farol, mudando-se, na década de 1940, para a Ilha do Maruim, com sede social própria localizada na Rua Campos Sales, n.118. Apresentava-se com bonitas fantasias e boas orquestras, mas seu sonho era mudar de categoria para concorrer com o grande rival Lenhadores, o que não conseguiu, encerrando as atividades em 1950.

Fundada na Rua dos Tocos, em 1938, a Troça Carnavalesca Mista Verde Linho era composta basicamente por vendedores ambulantes, trabalhadores e donas-de-casa. No início, saía pelas ruas com uma batucada, mas depois passou a desfilar com fantasias simples e criativas, além de orquestra de frevo. Apesar de pequena, a troça fez sucesso no carnaval olindense. Sua última apresentação ocorreu no Carnaval de 1966.

Na década de 1940, surgiram diversas troças, algumas importantes, como a Pitombeira dos Quatro Cantos (1947), hoje uma das maiores e mais animadas de Olinda.

Em 1945, no bairro do Guadalupe, na Cidade Alta, foi criada a pequena Troça Carnavalesca Mista Estrelinha, formada na sua maioria por crianças e que só fizerem duas apresentações, em 1945 e 1946, e a Troça Carnavalesca Mista Combate, cujo nome era uma alusão à II Guerra Mundial (1939-1945), idéia do porta-bandeira do Clube Vassourinhas, o folião Faustino, cuja primeira apresentação foi realizada próximo à sede do Clube. Possuía uma boa orquestra de frevo e foi a primeira agremiação a divulgar suas promoções pichando o chão de ruas e avenidas da cidade, uma vez que, por ser de pequeno porte, não tinha muita atenção da imprensa.

A Troça Carnavalesca Mista Remadores, foi criada em 1948, e além da exibição em dois carnavais da cidade (1948-1949), organizava festas dançantes para os jovens da comunidade.

De forma improvisada, surgiu em 1950, a Troça Carnavalesca Pijama, formada só por homens. Seus componentes se apresentavam de pijama listrado e tamanco pelas ruas da Cidade Alta. Devido a diversas confusões ocasionadas pelo excessivo consumo de bebidas alcoólicas por parte dos seus integrante, teve pouca duração.

Ainda na década de 1950, no ano de 1957, surgiu a Troça Carnavalesca Mista Dona Sinhá, formada por um grupo de autênticos carnavalescos de Olinda, que brincavam mascarados. Um deles parecia com a figura de Dona Sinhá, daí o nome da troça. As suas melhores apresentações foram realizadas nos anos de 1957 e 1959. Com um estandarte improvisado no início, passou depois a sair com outro, nas cores vermelha e amarela, criado por seus dirigentes.

No ano de 1960, surgiram, entre outras, as seguintes troças carnavalescas mistas: Girafa, no bairro do Guadalupe, formada por cerca de cinquenta pessoas, que se apresentavam levando a alegoria de uma girafa gigante e uma boa orquestra de frevo. Seu último desfile aconteceu em 1965; Cheguei Agora, formado em sua maioria por foliões do Clube Toureiros de Santo Amaro, do Recife, de onde se afastaram aborrecidos. Desfilava também no Recife, chegando a ser campeã na sua categoria com o tema Carnaval Antigo. Em Olinda, saiu pela primeira vez da Rua Manoel Borba; Timbu, de início localizada no bairro de Jatobá e depois na Av. Joaquim Nabuco, nº 148, Estrada de Paulista, era composta por crianças e adultos, principalmente moradores da comunidade. Foi fundada por antigos membros do Penarol Futebol Clube que havia sido extinto, encerrando sua participação no Carnaval em 1964; Passando a Vassoura, originária da Rua das Belas Artes, cujos componentes eram, além dos jovens da localidade, pescadores e peixeiros que haviam feito parte do Clube Lenhadores e tinha como principal rival a troça Cachorro do Farol, criada em 1963, por um grupo de pessoas da classe média da cidade, que brincava o carnaval com uma máscara de cachorro.

Uma das mais tradicionais troças carnavalescas de Olinda, a Ceroula, foi fundada em 1962, como uma dissidência da Pijama. Só se apresenta pelas ruas da Cidade Alta e, durante o desfile, distribui batidas de frutas regionais para os foliões. Sai no sábado e na terça-feira de Carnaval. Antes da primeira saída, servem uma feijoada e da segunda, uma peixada para seus associados. Mantém até hoje a tradição de não aceitar mulheres no seu cordão e sua fantasia é composta por chapéu de palha, camisa de malha, ceroula e sandália.

Criada em 25 de fevereiro de 1965, pelo garçom Isaías Ferreira da Silva, o Batata, a Troça Carnavalesca Bacalhau do Batata é considerada a mais original das agremiações que saem após o Carnaval em Olinda. A troça sai na manhã da Quarta-Feira de Cinzas, do Alto da Sé, pelas ruas da Cidade Alta, sendo acompanhada por foliões que trabalharam durante a folia, principalmente motoristas, garçons, policiais e outros profissionais que não puderam brincar durante o Carnaval. O estandarte da troça é composto pelos principais ingredientes de uma bacalhoada. Vestidos com camisas de malha e chapéu, os foliões caem na folia com muito frevo e também uma escola de samba, anunciando a saída com muitos fogos para chamar a atenção da população.

Outra troça carnavalesca tradicional de Olinda é A Mulher do Dia, criada em 13 de dezembro de 1967, para “acabar com a solidão de tantos carnavais do Homem da Meia Noite”, um Clube de Alegoria Misto que foi troça de 1932 a 1936. A Mulher do Dia é uma calunga gigante e as cores da agremiação são o azul, que representa Iemanjá, e o amarelo, representando Ogum. Para alguns artistas de Olinda a boneca da troça é a Mona Lisa da cidade.

Na década de 1970, surgiram, entre outras, as seguintes troças carnavalescas mistas para animar o carnaval em Olinda: Pavão Misterioso (1974), na Avenida Presidente Kennedy, que tornou-se um clube de 2ª categoria, chegando a ser campeã do carnaval recifense em 1981; A Burra (1974), do bairro do Rosário que sai na segunda-feira de Carnaval; Menino da Tarde (1975), do bairro do Guadalupe, que se apresentam no sábado de carnaval com uma boa orquestra. O primeiro boneco da troça foi confeccionado pelo artesão Julião e o segundo pelo folião Silvio do Amaro Branco; Cachorrão, que tem como ponto de saída a casa nº 104, da Ladeira do Varadouro, no Sítio Histórico de Olinda e distribui bebida de graça para os foliões; Barca Furada (1979), composta na sua maioria por rapazes moradores da Cidade Alta, que gostavam de discutir futebol em frente ao antigo cinema Duarte Coelho e que, em 1981, homenagearam o Sport Club do Recife, campeão pernambucano de 1980; John Travolta (1979), formada por crianças do bairro do Guadalupe, que no início saía pelas ruas fazendo batucada e conduzindo um boneco gigante confeccionado por Julião (conhecido como Julião dos Bonecos), e depois outro feito por Silvio do Amaro Branco, os mesmos autores da Menino da Tarde.

Criada em 1980, a Troça Carnavalesca Mista Barba Papa foi idealizada e organizada por jovens foliões ligados a famílias de carnavalescos olindenses e cujo principal atrativo é o boneco Barba Papa, com 3,5 metros de altura, confeccionado pelo artesão Julião dos Bonecos. A agremiação sai às ruas com cerca de cem a 120 integrantes e cinquenta músicos, alguns da Escola de Samba Preto Velho.

A Troça Carnavalesca Mista Tarados da Sé, foi fundada no dia 11 de novembro de 1987, por músicos e artistas de Olinda que se inspiraram na música Tarados da Sé, composta por Lourenço Gato, Luciano Padilha e João Sales. A troça se apresenta com um boneco gigante e arrasta milhares de foliões pelas ruas da Cidade Alta.

Criada em 1993, a Troça Carnavalesca Mulher na Vara surgiu de uma brincadeira: naquele ano uma moça sofreu uma queda, em plena folia, ficando sem poder andar. Para transportá-la em meio à multidão, dois rapazes resolveram improvisar arranjando um pedaço de pau para ajudá-la. Por onde passavam os foliões gritavam “olha a mulher na vara”, nascendo assim a troça. Hoje o grupo se apresenta carregando uma vara de cinco metros e com orquestra de frevo.

Misturadas aos clubes, afoxés, caboclinhos, maracatus, bonecos gigantes – uma das marcas mais conhecidas do Carnaval olindense – escolas de samba e muito frevo, troças carnavalescas são criadas anualmente e continuam, desde 1910, animando a folia pelas ladeiras da cidade, com muito humor, alegria e criatividade.

Recife, 17 de janeiro de 2011.

FONTES CONSULTADAS:

AGREMIAÇÕES. Disponível em: http://portalolinda.interjornal.com.br/agremiacoes.shtml. Acesso em: 11 jan. 2011.

ATAÍDE, José. Olinda, carnaval e povo: 1900-1981. Olinda, PE: Fundação Centro de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda, 1981.

BANHOLZER, Marília. Troças carnavalescas: a magia está no nome, JC Online, 8 fev. 2010. Disponível em: http://jc.uol.com.br/canal/carnaval-2010/noticia/2010/02/08/trocas-carnavalescas-a-magia-esta-no-nome-213431.php. Acesso em: 11 jan. 2011.

LACERDA, Ângela. Troça carnavalesca leva irreverência às ruas de Olinda. Disponível em: http://carnaval.uol.com.br/noticias/recife-olinda/2008/02/04/ult4469u18723.jhtm. Acesso em: 11 jan. 2011.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

GASPAR, Lúcia. Troças carnavalescas de Olinda. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

Orquestra da Troça Ceroula de Olinda

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Catálogo de Agremiações Carnavalescas do Recife e Região Metropolitana


No documento estão identificados os grupos registrados no Cadastro e Contagem Geral das Agremiações que tiveram participação nos carnavais da cidade entre 2001 e 2009, em trabalho realizado pela Comissão dos Ciclos Culturais e da Casa do Carnaval.Escrito em português e inglês, o livro contém a história dos clubes de frevo, troças, escolas de samba, maracatus e caboclinhos.

Link: Catálogo de Agremiações Carnavalescas do Recife e Região Metropolitana

sábado, 21 de janeiro de 2012

Antonio Nóbrega - Na pancada do ganzá [1996]




Faixas:
01-Loa de abertura
(Folclore)
02-Vinde, vinde, moços e velhos
(Folclore)
03-Truléu da Marieta
(Folclore)
04-A vida do marinheiro
(Folclore)
05-Truléu, léu, léu, léa
(Folclore)
06-Serenata suburbana
(Capiba)
07-Marcha da folia
(Raul Moraes)
08-Boi castanho
(Getúlio Cavalcanti)
09-O romance de Clara Menina com D. Carlos de Alencar
(Folclore)
10-1º Movimento do Concerto de Bach em ré menor para rabeca e flauta
(Bach)
11-Desassombrado
(Antônio Nóbrega)
12-Mexe com tudo
(Levino Ferreira)
13-Minervina
(Marcelo Varella, Antônio Nóbrega)
14-Mateus embaixador
(Antônio Nóbrega)
15-Na pancada do ganzá
(Wilson Freire, Antônio Nóbrega)
16-Despedida
(Folclore)

Orquestra do Maestro Oséas - Frevo no Bairro do Recife

Ótimo vídeo de uma ótima orquestra executando uma bela música! Obrigado ao autor do vídeo!